7 Símbolos que não significam o que você pensa.

Por Alessandro Silva

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Assim como a suástica, que era encontrada em diversas culturas antigas muito antes de se tornar símbolo máximo do nazismo, vários outros símbolos famosos em todo o mundo possuem reais significados que destoam um pouco da projeção que receberam.

Abaixo, o escritor Fábio Mourão, do blog Dito Pelo Maldito, lista sete exemplos:

Se você quer motivar um grupo de pessoas em torno de uma ideia ou objetivo, tudo que você vai precisar é de um símbolo, um slogan, uma bandeira ou o rosto de um herói para ficar estampado em uma camiseta.

Me parece que o ponto principal de se usar um símbolo, é que ele transmite um significado rápido e economiza espaço. Você vê a imagem de um boneco em um vestido e já não precisa mais da frase “Este é o lugar onde apenas os seres humanos do sexo feminino podem se aliviar”. Mas a parte fascinante é que, por vezes, o verdadeiro significado de um símbolo vai se perdendo ao longo da história, mas ainda assim insistimos em manter o direito de usá-lo de qualquer maneira.

Mas será que continuaríamos fazendo isso se soubéssemos que…

 

1. Guy Fawkes

Incompreendido por: anarquistas…

 

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Apesar do fracasso geral dos anarquistas em reunir forças suficiente para fazer qualquer progresso significativo contra seus inimigos ideológicos (democracia, capitalismo, comunismo e a Internet), eles possuem alguns ícones em comum. Um dos símbolos mais proeminentes é o inglês revolucionário do século XVII, Guy Fawkes, cujo feito mais notório foi a sua tentativa de explodir o Parlamento a fim de desestabilizar o governo britânico.

A referencia mais provável é a famosa graphic novel V de Vingança, onde um homem usa uma máscara com o rosto de Fawkes para derrubar uma teocracia distópica do mal.

Nos últimos anos, a peça tem sido usada por jovens de todo o mundo para representar, de alguma forma, todo tipo de reivindicação popular. Aqui no Brasil você pode encontrar a máscara sendo vestida até em uma Parada Gay.

E o que há de errado nisso?

Bem… Ao mesmo tempo que os anarquistas acertaram no fato de que Fawkes foi a única pessoa a entrar no Parlamento com intenções honestas, eles esqueceram quais seriam essas intenções.

Fawkes não estava tentando destruir uma ditadura fascista, ele estava tentando instaurar uma. Ele era um soldado fiel a Espanha e a Igreja Católica. Seu objetivo era acabar com a revolução protestante (ligeiramente mais igualitária) na Inglaterra, e restaurar a ferrenha dominação católica. Se ele tivesse realmente conseguido o que queria, hoje a Grã-Bretanha, provavelmente, estaria bem mais próxima do estado policial fascista que Alan Moore nos advertiu.

 

2. Cruz Invertida

Incompreendido por: satanistas e bandas de heavy metal…

 

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O satanismo moderno trilha uma linha tênue entre a religião propriamente dita e uma farsa juvenil por busca de atenção. Geralmente conhecidos por apresentar o dedo do meio deliberadamente a qualquer vertente do cristianismo, os ‘satanistas’ simplesmente adoram adornos com símbolos que eles julgam que podem chocar e provocar pessoas aleatórias e tentar passar a ideia de durões.

Um dos símbolos satânicos mais populares é a cruz de cabeça para baixo. O raciocínio por trás do ato, até que parece bastante óbvio. Com a exceção do pentagrama com uma cabeça de bode no centro, a cruz invertida é o símbolo mais associável de rebeldia contra o cristianismo, muitas vezes até usado como tatuagens por alguns mais extremistas.

Isso pode até parecer um tanto agressivo. Mas há apenas um único homem na Terra que é death metal o suficiente para ter uma cruz invertida esculpida em seu próprio trono… Sua santidade o Papa.

 

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Se os satanistas tivessem prestado mais atenção nas aulas de religião, provavelmente aprenderiam que a cruz invertida é, na verdade, a marca pessoal de São Pedro, o primeiro Papa, e uma das figuras mais reverenciadas na tradição católica.  
Quando Pedro foi martirizado por crucificação, ele pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, porque não se sentia digno de morrer da mesma forma que Jesus.

Através do uso de uma cruz de cabeça para baixo, os satanistas estão involuntariamente mostrando humildade e indignidade antes de Cristo. Isso faz tanto sentido quanto um nazista se empanturrar de carne de porco na intenção de ofender as crenças de um judeu.

 

 

3. Che Guevara

Incompreendido por: esquerdistas e comunistas…

 

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Caminhe por qualquer campus de faculdade e você encontrará centenas de camisetas de Che Guevara entre os alunos, principalmente no departamento de ciências sociais.

Pergunte a qualquer um deles sobre Che, e você será informado como ele era um herói anti-imperialista. Pergunte-lhes sobre a época de Che no Congo e você provavelmente vai receber um olhar vazio.

Enquanto os Diários de um Motociclista e outras representações da cultura pop cobrem o início da vida de Guevara e a Revolução Cubana, foi apenas em 2001 que Cuba finalmente liberou para publicação O Sonho Africano, o diário de sua fracassada tentativa em exportar a revolução cubana para fora da América Latina. A aventura de Che no Congo, que ele mesmo chamou de “desastre absoluto”, foi o resultado trágico de sua tentativa frustrada de empurrar o “modelo cubano” para lugares que não são Cuba.

Che visitou a África após o assassinato do líder da independência congolês Patrice Lumumba . Usando a tragédia política como um ponto de encontro, ele esperava para lançar uma revolução popular. Apesar dos líderes rebeldes locais o verem apenas como mais um homem branco gritando ordens, Che insistiu em levar o seu projeto adiante com um grupo de seus próprios mercenários cubanos.

No final ele acabou desistindo do projeto alegando sua falta de fé no povo congolês em aprender a operar armas de fogo. O que faz alguns estudiosos pensar que ele não soa muito diferente de um racista à moda antiga.

E aí? Ele ainda te parece um cara “mente aberta” na imagem das camisetas?

 

 

4. Peixe Cristão

Incompreendido por: cristãos…

 

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Além da cruz, o símbolo mais onipresente do cristianismo é o conhecido peixe. E hoje ele aparece predominantemente em seu habitat natural… nos pára-choques dos carros, bem ao lado do adesivo “Foi Deus que me deu!”.

O símbolo, na verdade, remonta a tempos antigos quando o cristianismo ainda era uma seita obscura. E considerando que os peixes e a pesca eram frequentemente usados ​​como símbolos na Bíblia, você pode argumentar que é um símbolo bem mais apropriado para os ensinamentos de Cristo, do que o dispositivo usado para torturar e matar que é a cruz.

Contudo, você vai se sentir em pecado quando descobrir que esse ícone representa simplesmente uma vagina.

Um dos nomes dados para o peixe é vesica pisces (navio do peixe), e foi usado para representar as mulheres e várias deusas mitológicas, como Atargatis (a deusa síria da fertilidade), Afrodite / Vênus ( a deusa do amor e do sexo) e a Grande Deusa Mãe pagã, onde simbolizava a vida gerada pela vulva.

 

 

5. Coração

Incompreendido por: apaixonados…

 

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É um dos símbolos mais onipresentes no planeta, aparece em todos os lugares, desde cartas trocadas por namorados até tatuagens de motoqueiros. O formato de coração é algo tão presente na vida cotidiana, que a gente acaba ignorando o fato de que ele não se parece absolutamente em nada com um coração de verdade.

Bem, há algumas evidências convincentes de que o símbolo nunca foi criado para ser um coração em primeiro lugar, mas sim um contraceptivo do antigo Império Romano.

O símbolo não representa o músculo cardíaco de alguém, mas a semente da planta silphium, uma erva tão valorizada por suas capacidades de controle de natalidade na antiguidade, que os romanos correram sério risco de serem extintos pelo seu uso. Representações da semente da planta foram generalizadas em todo o Império Romano, até o ponto em que ela apareceu cunhada nas moedas da época. Para entender melhor o quanto os romanos eram preocupados com filhos bastardos, imagine se os pais de hoje resolvessem imprimir a imagem de um preservativo nas cédulas de dinheiro.

Os historiadores não estão absolutamente certos de que essa seja a origem do símbolo que usamos hoje, ou se é apenas uma coincidência maluca, mas se for verdade, então podemos dizer que o símbolo universal do amor começou como um incentivo ao sexo livre e sem compromisso. O que torna um tanto estranho aqueles cartões que você fazia para o dia das mães quando criança.

Entretanto, isso ainda pode ser superado. Veja, os romanos realmente compararam a forma da planta silphium a um órgão do corpo, só não era exatamente o coração. Para ver o projeto original, você teria que virar a imagem de cabeça para baixo. Isso mesmo que você entendeu. Aquela caixa de chocolate em formato de coração que você ganhou no último Dia dos Namorados, é na verdade um par de testículos pendurados. Isso que é amor, heim!

 

 

6. Símbolo da Paz

Incompreendido por: hippies e pacifistas…

 

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O sinal de paz continua sendo um dos símbolos mais poderosos e inspiradores do planeta, apesar de sua longa associação com os hippies. Talvez sejam as formas geométricas simples que se comunicam, de alguma forma, com uma parte primitiva do nosso cérebro. Mas o fato é que só de olhar para ele, você logo sente esse tipo de grandiosidade, a esperança oriunda de sua convicção. Infelizmente, o oposto do que o criador do símbolo tinha em mente.

Originalmente, Gerald Holtom, um designer gráfico britânico, surgiu com o projeto do sinal de paz em 1958, para ser usado em um protesto contra as armas nucleares. O símbolo geralmente é interpretado como duas cartas de semáforo sobrepostas, representando as letras N e D – que significam “Nuclear Disarmament” (desarmamento nuclear).

Mas o que nós esquecemos era a imagem principal que Holtom estava tentando retratar: em suas próprias palavras, o seu logotipo foi concebido para ser um “ser humano em desespero”. O sinal de ‘paz inspiradora’ é na verdade uma representação de um homem que perdeu a esperança em um mundo enlouquecido, esticando os braços para fora e para baixo em desespero e derrota.

Holtom imediatamente lamentou sua criação depois que o mainstream se apossou do símbolo e tentou alterar seu significado. Involuntariamente, o homem deprimido e derrotado tornou-se um símbolo de inspiração para todo o movimento progressivo do final do século 20, do Vietnã aos direitos civis.

 

 

7. Pé de Coelho

Incompreendido por: supersticiosos…

 

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Você provavelmente nunca questionou a lógica que alega que um pé de coelho cortado traz boa sorte. Levante esse questionamento e logo você terá que começar a fazer perguntas sobre andar por debaixo de escadas, espelhos quebrados e coisas do tipo. Mas garanto que a história do pé de coelho é ainda mais assustadora do que a simples ideia de desmembrar animais em busca de sorte.

Nos Estados Unidos, o simbolismo do pé de coelho teve origem em um termo da magia popular do lugar. Eles acreditavam que os coelhos podiam ser bruxas disfarçadas, e assim que cortassem um pé de coelho, significava, para eles, obter uma parte de uma bruxa para usar em volta do seu pescoço como amuleto de proteção contra a feitiçaria.

As primeiras referências a lenda do pé de coelho, detalham as inúmeras maneiras em que você pode maximizar o poder da pata do animal antes de cortá-la. Aparentemente, funciona melhor quando o coelho é morto em uma sexta-feira, especialmente numa sexta-feira chuvosa, em um cemitério, por um afro-americano. Claro, que eles não usavam o termo afro-americano na época.

Mas como exatamente o pé de coelho foi de um instrumento de magia negra, a um souvenirvendido a turistas em bancas de recordações? Assim como ocorre com um monte de coisas ousadas que chegam na mão do mainstream, a lenda simplesmente foi aguada, diluída e adocicada. As pessoas foram condicionadas a esquecer o lado negro da história, e só ficaram com a parte boa do pé de coelho ser um talismã mágico – que só não traz sorte para o próprio coelho.

Texto de autoria de Fábio Mourãopublicado originalmente no blog Dito Pelo Maldito.

 

http://www.ditopelomaldito.com/

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