CRÔNICA – NO BALANÇO DO BUSÃO #02 [ O Pé de Pano]

Por Alessandro Silva

pe de pano

 

 

No balanço do busão as pessoas adoram expressar suas opiniões a respeito do motorista em voz alta, seja a respeito de sua habilidade no volante, ou a falta dela, sua barbeiragem, ou até sua vagarosidade, isso pela manhã é o que mais incomoda os passageiros, tive a oportunidade de presenciar em ação o pé de pano do 501, era assim como os passageiros o chamavam, até um tempo eu só ouvia falar dessa sua fama, ainda na fila a espera do ônibus pela manhã, ouvia as pessoas reclamarem dele, dizendo que ele era lento como uma tartaruga, como se a tartaruga tivesse culpa de ter as patas curtas e não podem andar em grande velocidade no solo, isso porque não são animais do solo e sim da água onde são muito velozes por sinal, mas o pé de pano era bem conhecido pelo pessoal da linha 501, não bastasse o ônibus sair atrasado todos diziam que ele era lento, muito leeeento, uma certa vez tive a oportunidade de ser conduzido por esse motorista, sentei nos primeiros bancos depois da roleta, e observei bem ele, enquanto dirigia, sobre ele não tenho muito a dizer, é um senhor aparentando já ter passado dos 50 ou mais, um homem sereno, atento ao transito e que os passageiros não teriam o que reclamar, além de respeitar os limites de velocidade, o que é problema para os passageiros, então pode se perceber que ele não é o problema, e sim os passageiros, e toda a sociedade que vive as pressas.As pessoas andam cada vez mais atrasadas, com seus horários apertados, suas agendas lotadas de compromissos, “Aprendemos a nos apressar e, não, a esperar.” Disseram uma vez, andamos cada vez mais atropelando uns aos outros, para ir ali, chegar aqui, e no fim não vamos a lugar algum, temos hora para sair de casa, para chegar ao trabalho, a faculdade, a academia, tudo tem hora, mas tem hora pra tudo, ou as pessoas deveriam encontrar hora, ter tempo, apesar do tempo não caber na palma das mãos, quem nesse mundo que mais parece uma corrida contra o tempo já passou ou passa por isso, essa correria do dia a dia, uma luta em vão contra o tempo que por mais que nos apressemos nunca conseguimos ser mais rápidos que ele, vivemos em um rítimo super acelerado e não podemos parar, até por que o tempo não para, e por isso não devemos deixar de fazer amanhã o que temos que fazer hoje, pois pode não haver um amanhã, do jeito que levamos a vida de jeito, correndo, acelerada estamos deixando de viver, a vida é para ser vivida e não apenas passar por ela como um carro de F1, que está sempre a conquista de um novo recorde de velocidade, e sim devemos ser como o pé de pano, como se fossemos um carro alegórico de carnaval, que desfila pela Sapucaí para que o público possa apreciá-los, ver cada detalhe e nunca se esquecer, temos que ser como o Antônio, motorista, motor, pé de pano como dizem as más línguas, que vive a vida uma marcha de cada vez, sem pressa, ele também tem hora para chegar ao trabalho, hora para chegar ao seu destino, nem por isso vive a vida a mil por hora, temos que entender a metáfora da fábula da “Lebre e a Tartaruga”, a moral da estória diz que : “Quem segue devagar e com constância sempre chega na frente.

Leia esse texto, não são minhas palavras mas traduzem muito bem o que estou tentando dizer.

O Paradoxo do Nosso Tempo

“Bebemos demais, fumamos demais, gastamos sem critérios, dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais e rezamos raramente.

Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores.
Falamos demais, amamos raramente, odiamos freqüentemente.

Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos.
Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar nosso vizinho.
Conquistamos o espaço sideral, mas não o nosso próprio.

Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito; escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos.

Aprendemos a nos apressar e, não, a esperar.
Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos.
Estamos na era do fast-food e da digestão lenta; do homem grande, mas de caráter pequeno; lucros acentuados e relações vazias.

Esta é a era de dois empregos, vários divórcios, casas chiques e lares despedaçados. Esta é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas mágicas.

Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na despensa. Armários cheios e corações vazios.
Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão por aqui para sempre.
Lembre-se dar um abraço carinhoso num amigo, pois não lhe custa um centavo sequer.
Lembre-se de dizer eu te amo à sua esposa e às pessoas que ama, mas, em primeiro lugar, ame… ame muito.

Um beijo e um abraço curam a dor, quando vêm de lá de dentro.
O segredo da vida não é ter tudo que você quer, mas AMAR tudo que você tem!
Por isso, valorize o que você tem e as pessoas que estão ao seu lado.
HOJE!…”

George Carlin

 

Outro post que escrevi a respeito do tempo em nossas vidas, leia:

https://lelesilva.wordpress.com/2012/08/14/historias-que-a-vida-conta/

 

Crônica escrita ao som de Los Hermanos, Vários.

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