CRÔNICA – NO BALANÇO DO BUSÃO #03 [ Fila Indiana]

Por Alessandro Silva

Fila_indiana02

 

Em um dos meus devaneios na fila a espera do ônibus, a caminho do trabalho, me vi refletindo sobre a fila em si, e que tudo na sociedade é “bem organizado” devido as filas, mas o povo não se agrada muito, reclamam de que tudo é fila, fila para pegar ônibus, fila no banco (que foi substituída pela senha, mas ainda assim é um tipo de fila mais modernizada), no supermercado,no restaurante, no cinema, enfim, quando terminamos um relacionamento a fila anda e encontramos um novo alguém, a fila está em todos os lugares, com as filas ainda há desrespeito, as pessoas furam a fila, guardam lugar para outras, imagine uma sociedade sem fila, seria um caos total, no ensino médio tive um professor de filosofia que certa vez disse que as filas foram inventadas para controlar o povo, fazê-los submissos, ali um atrás do outro, bem além de professor de filosofia ele era ex seminarista, e cheia de teorias da conspiração,   voltando ainda mais no tempo, lembro-me do ensino fundamental, onde a diretora nos colocava em fila na quadra da escola, da primeira a oitava série, do menos para o maior, e tínhamos que ficar ali quietos, no exército é a mesma coisa, até que o que meu professor de filosofia disse faz algum sentido, se ele está certo não sei, mas faz sentido, depois de refletir sobre isso na fila do ônibus, que me fez lembrar do professor (que até o final desta crônica vou lembrar o nome dele),que me fez lembrar do tempo do ginásio, assim que cheguei em casa, fui até o computador pesquisar a verdadeira origem da fila,  pois bem, a hipótese mais aceita é que a expressão simplesmente descreve o modo de os índios andarem enfileirados pelas trilhas no meio da mata. Portanto, “indiana”, no caso, não tem nada a ver com os moradores da Índia, mas sim com as populações nativas das Américas. Caminhar em fila indiana era uma excelente estratégia de guerra para as tribos da América do Norte. Relatos históricos registram que, quando os guerreiros se deslocavam pelo meio da floresta, cada um pisava na pegada da pessoa da frente, para que o último homem apagasse seus próprios passos e os de todo o grupo. Assim, ninguém deixava vestígios de sua passagem para o inimigo.

Alguns especialistas apontam ainda que a expressão revela a discriminação sofrida pelas populações indígenas nos Estados Unidos. “Na verdade, trata-se de mais um rótulo criado pelos colonizadores para passar a impressão de que os índios são selvagens sempre prontos para a guerra”, diz o lingüísta Wolfgang Mieder, especialista em folclore e provérbios da Universidade de Vermont, nos Estados Unidos. Entretanto, a história mostra que as estratégias indígenas de guerra foram incorporadas pelo Exército americano durante a Guerra da Independência (1775-1783). Enquanto os soldados ingleses atacavam em blocos, os americanos levavam vantagem andando alinhados e se escondendo atrás de árvores e pedras, como faziam os nativos. Bem já sei de onde vem a fila, mas para onde vai não sei, enfrentamos fila para ir para todos os lugares, mas quando a fila vai andar para a fila? Ainda precisaremos dela para podemos ser civilizados? controlados? como dizia meu professor de filosofia que ainda não lembrei o nome, enquanto a resposta não chega vamos analisar bem quem está a nossa frente, mas sem se esquecer de quem está atrás de nós, vamos ser pacientes, vamos dar preferência, pois quando chegar a nossa vez estejamos prontos para seguir em frente.

 

Fila Indiana                                                                                                                                                                                                                                                  Autor Desconhecido

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Fila Indiana – Autor Desconhecido

Nós seres humanos, caminhamos em fila indiana.
Cada um carregando uma sacola na frente e outra atrás.

Na sacola da frente, nós colocamos as nossas qualidades.
Na sacola de trás guardamos os nossos defeitos.

Por isso durante a jornada pela vida, mantemos os olhos fixos nas virtudes que possuímos, presas em nosso peito.

Ao mesmo tempo, reparamos impiedosamente nas costas do companheiro que está adiante, todos os defeitos que ele possui.

E nos julgamos melhores que ele, sem perceber que a pessoa andando atrás de nós, está pensando a mesma coisa a nosso respeito.

Mude ainda dá tempo, e não esqueça…
Valorize mais, as pessoas que tem perto de você.

A propósito no nome do meu professor de filosofia do ensino médio é Nelcino.
Crônica escrita ao som de A Trip To Forget Someone (2012)

 

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