CRÔNICA – NO BALANÇO DO BUSÃO #09 [LEITURA]

Por Alessandro Silva

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Dentre os inúmeros personagens que circulam nos coletivos desta selva de pedra vou destacar uma nova rede urbana que vem crescendo como uma tropa de elite, são os “leitores de lotação”, “leitores de busão” seja qual for o nome, as pessoas procuram compensar o gasto de R$ 2,45 para circular em um ônibus lotado, pra se sentar mal acomodado em assentos com espaços negativos para se caber uma perna confortavelmente, e que você se senta mais no corredor do que no banco mesmo. Os adeptos são uma espécie de tropa de elite, treinada para agir em condições ad­­versas. Convictos e concentrados como atiradores russos, enfrentam solavancos, cotoveladas e profecias agourentas para poder de­­bulhar páginas de romances e ensaios, revistas e jornais, enquanto são conduzidos a seus destinos sempre atrasados,  categoria que teme descolamento de retina, enjôo seguido de vômito e a perda de equilíbrio, bem é certo de que no balanço do “busão” se sinta alguma tontura e até dor de cabeça, mas já foi atestado que deslocamento de retina ou qualquer mal que a leitura venha a trazer aos “busistas” é “mito” vi isso em um programa de TV, onde oftalmologistas garantiram que isso é uma lenda urbana, eles explicaram que o olho deve ficar sempre úmido. Por isso, a lágrima é fundamental. Ambientes secos, como os climatizados por ar condicionado, podem irritar os olhos.  Os especialistas aproveitaram para esclarecer um lugar-comum sobre a saúde dos olhos. Ler no ônibus ou no carro exige mais esforço e, por isso, pode ser cansativo ou dar dor de cabeça. Contudo, o hábito não traz nenhum problema para a visão. A questão principal desse tema é que mesmo com a falta de tempo para ler, nesse mundo tão corrido, mercado de trabalho brutal, escolas que sugam os alunos, aquele tempo pra ler vai se perdendo na selva urbana, mas tem pessoas que buscam compensar essa falta de temo no coletivo, pois suas viagens são demoradas e cansativas, elas largam um pouco seus celularzinhos de telas maiores que a palma da mão, para a leitura (às vezes lendo nos próprios celulares, os livros digitalizados, os famosos e-books) o fato é que as pessoas estão lendo mais nos ônibus, vejo livros religiosos, romances, enfim desde “50 Tons de cinza”,  a “A Tormenta das Espadas”, eles lêem sentados, em pé, agarrados com uma mão segurando o livro e ao outra ao balaustre, se perdendo nas freadas do “busão”, ou no empurrão dos outros passageiros, tem até aqueles que lêem só para se exibir, mas o que as vezes é bom, O leitor desperta curiosidade. Deixe que o outro espie um pouquinho. Um curioso de plantão pode se tornar leitor um dia.. Mas muitas dessas pessoas fazem essa arte de ler no “busão” de forma incorreta, sem levar em considerações coisas simples que facilitariam e muito sua leitura e a tornaria mais produtiva, como pra começar a escolha do livro, não é qualquer livro que se pode ler no ônibus, como citei acima “A Tormenta das Espadas” é um bom exemplo, O leitor de “busão”    tem que escolher  um livro fácil de dobrar. Encarar Ulisses, de James Joyce, na Pedra da Cebola  é possível, mas em 507 lotado é tenso, fica mais fácil se não for capa dura não adianta escolher qualquer livro que aparece pela frente. Tem que ser um livro que seja bom, envolvente como uma história que prenda e que leve o leitor adiante o tempo inteiro, com ganchos no final do capítulo e que deixe uma vontade de a viagem não terminar nunca, já vivi essa experiência e recomendo o livro em questão “A Batalha do Apocalipse: Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo” de Eduardo Spohr, que fez longos 30 a 40 minutos parecerem cinco. O segundo passo é sentar, sei que uma tarefa difícil, mas ler em pé não dá, não aconselho segurar o balaustre do ônibus com uma mão e o livro com a outra, pois quem tem pressa vai sentado, posso atestar que a melhor maneira de ler no ônibus é sentado, ao entrar no ônibus, repare onde es­­tão as possibilidades de um canti­nho em que possa se instalar. Os ban­­cos mais confortáveis são os que ficam entre os dois eixos do veículo e os da frente, onde o impacto é me­nor. Ao lado da janela a iluminação é mais adequada. Os bancos de frente um para o outro formam uma sali­nha. Se a área destinada às cadeiras de roda estiver desocupada, não se acanhe: é perfeita. No mais, use as barras, repito “è proibido usar as barras” sentado você pode até ouvir uma música que servirá como trilha para sua história . Mas sei que  para conseguir o banquinho que lhe é de direito é complicado, aconselho que chegue antes ao ponto ou espere o próximo “busão”, mas se caso ficar em pé, uma dica que faço, observo bem aqueles que estão sentados e identifico aquele que vai descer antes de mim, ai fico perto do banco, mas tem que ser ágil quando a pessoa levantar para descer, pois a outros olhos grandes fitando aquele lugar. Como eu sei que existem aqueles que não dão ouvidos ao conselho de não ler em pé, tem umas dicas também para esses malabaristas, para não cair, mantenha as pernas separadas. Acompanhe o movi­men­­­­to do ônibus, como se surfasse uma onda com toda graça. Quando se domina o movimento, dá para se­gurar com uma mão o livro e com a outra uma das barras. Para aquele leitor pateta, meio desligado que viaja demais na leitura, que entretido na leitura corre o risco de não enxergar o lugar de descer. Fácil: a cada duas páginas erga os olhos e se situe. Não falha. Uma ultima dica que estou me familiarizando é ser um “busuleitor” do futuro, não tenha nada contra o e-book. Eles parecem ter sido feitos para o ônibus, além de não precisar de marcador nem pesar tanto quanto “A Dança dos Dragões”.

Existem várias narrativas” busunistas”, vários tipos de leitores, aquele que deve sua aprovação no concurso as horas que passava no” busão”, tem aqueles que escolheram seu voto na urna ao ler bons artigos em revistas, e tem quem pegue o ônibus pelo simples prazer de ter 10 minutos de leitura, sentado, enquanto la nave va. Seja qual “busuleitor” você seja, leia, continue lendo, “A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede.” Carlos Drummond de Andrade, ler é preciso, “A leitura é para o intelecto o que o exercício é para o corpo.” Joseph Addison, exercite sua mente, faça da leitura uma fonte inesgotável de prazer, seja na rua, na chuva na fazenda, ou no balanço do busão.

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Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2011/06/ler-no-onibus-ou-no-carro-nao-faz-mal-para-visao.html

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