O FRIO QUE VOCÊ DEIXOU

Por Alessandro Silva

lareira

O inverno chegou em plena primavera,

veio pra ficar no lugar de quem partiu.

Tiro então a saudade do armário,

ela floresce no meu peito deserto.

Chegou e trouxe calafrios, rimas soltas e vontade.

A solidão deságua no rosto, e no peito saudade.

Canto seu êxodo, anelo seu regresso.

Onde está sua voz pra derreter meu coração? Gelado feito pedra.

Seu corpo era como casaco de inverno,

vestia sua nudez pra me livrar da hipotermia da noite.

Sua partida esfriou a xícara de chá,

assim como o corpo que febril estava.

Meu moletom era seus braços, minha lareira seu olhar,

que não se apagou ainda, lenho perene aquece como uma brasa entre as cinzas,

Como um vagalume na escuridão.

Abruptamente partiu, arrancou de mim o peso de te ter,

perco-me em um nevoeiro de momentos que esforço-me pra lembrar, mais que não sai da minha mente.

A casa é fria, brisa gelada adentra pela fresta da porta.

Fio de cabelo no sofá.

Cheiro de colônia no edredom, no meu peito saudade.

Pra me aquecer nesta noite fria agasalho em mim a lembrança de ti.

O frio é glacial sem você aqui.

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