NO BALANÇO DO BUSÃO – CRÔNICAS BUSOLÍSTICAS #12 Gentileza Gera Gentileza

Por Alessandro Silva @lelesilvapinto

#NoBalançoDoBusão12 #PensoLogoEscrevo

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Diz-se por ai que o brasileiro é solidário uns aos outros, eles se mobilizam em massa para ajudar aos que precisam, em tragédias, catástrofes, etc. São como formigas operárias, agindo coletivamente em prol de um bem maior: ajudar outro ser humano, a cerca de um mês presenciou-se um episódio que mobilizou várias pessoas para doação de água potável para cidades que tiveram seu abastecimento de água interrompidos por causa da má condição da água do rio que abastece essas tais cidades, a água foi contaminada por uma lama considerada tóxica depois de um desastre ambiental, paralelo a este episódio aconteceu outro, do outro lado do oceano, mas que os brasileiros também se solidarizaram com os ataques terroristas em Paris na França, lama aqui, bombas lá, não importa o tamanho do desastre os brasileiros sempre se prontificam a ajudar, a se sensibilizar com as tragédias, pela TV, pela internet houve muita comoção, é lindo não fosse a falácia presente nas lágrimas da apresentadora do telejornal.

Diz o ditado que “a boa educação é igual moeda de ouro, em toda parte tem valor”, ao meu parecer não é o que acontece no balanço do busão diariamente, a educação, a gentileza, nem passa pela porta do ônibus, se entra ela fica em pé, assim como as pessoas com crianças de colo, os idosos, gestantes, etc. Diariamente me deparo com essa situação, um adulto em pé no ônibus com uma criança no colo, com uma mão no balaustre e a outra segurando firme a pobre criança, muitas vezes bem pequena, já vivi na pele essa situação como pai que sou e como usuário do transporte coletivo, e como usuário não culpo essas pessoas, sei o quão é difícil conseguir se assentar no ônibus e que ceder seu lugar, mesmo a quem precise mais que você é difícil, é automático, quando as pessoas avistam entrando uma pessoa com criança de colo, idosa, gestante, logo vira o rosto, finge dormir, abaixa a cabeça para ler, os coletivos tem assentos reservados à essas pessoas, porém são poucos, infelizmente essas pessoas precisam da boa vontade dos outros, mas nem todos estão num dia bom todos os dias, há aqueles que mesmo em um bom dia não fazem tais gestos de boa vontade, muitas das vezes é necessário alguém interceder por essas pessoas, as vezes até o próprio motorista do busão, não sai com o busu do ponto até que essas pessoas estejam assentadas no coletivo, fora isso ficam em pé, orgulhosas demais para pedir lugar, preferem se arriscar pelas curvas da cidade em pé com criança de colo, com deficiência física, com idade avançada entre outros, até o simples gesto de se oferecer segurar a bolsa ou a mochila de quem esteja em pé já é raro nos dias de hoje, ai entra o “X” da questão, onde está solidariedade do brasileiro? Só aflora em tempos de guerra? Em desastres, tragédias e afins? Meu avô me ensinou que se deve fazer o bem sem pensar a quem, ditado bastante conhecido mas pouco praticado, esses gestos de bondade, de gentileza, amor ao próximo deve ser exercido diariamente e a todo momento, não só em tempos de necessidade, todo dia é dia de necessidade, o egoísmo é uma praga, a ganância separa os que roubam daqueles que tem fome, em meio a tanto desamor que trará o alimento da paz em meio a tanto furor? Falta compaixão às pessoas, e sobra egocentrismo, quando resolvem ajudar ao próximo é apenas por status, é moda que virou clichê, se mobilizam para mandar água à pessoas a quilômetros de distância e ao lado não faz um gesto de solidariedade simples como ceder seu lugar no ônibus, deposita dinheiro ao criança esperança mas não compra uma paçoca ao ambulante dentro do busão.

Onde está o amor? Onde está o mandamento de amarmos uns aos outros? Os tempos são difíceis eu sei, mas hoje tem guerra amanhã também, me preparo pro front orando a paz, na esperança de que nós seres humanos tenhamos mais compaixão, de realmente fazer o bem sem pensar a quem, que tais gestos de bondade sejam tão naturais quanto dizer bom dia, obrigado, com licença, etc. Se gentileza gera gentileza, que esse ciclo possa fluir entre nós em qualquer lugar e que seja constante.

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