NO BALANÇO DO BUSÃO – CRÔNICAS BUSOLÍSTICAS #15 Um Verão Qualquer

Por Alessandro Silva                                                                                                           @lelesilvapinto

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– Que calor – disse a moça no assento ao lado, nada de tão extraordinário em sua reclamação, não fosse estar mesmo fazendo um calor de verão em pleno outono, nada anormal também, visto que parece verão no outono, inverno, primavera…                                 Mas essa fala da moça me fez lembrar de um verão específico, não um verão qualquer, que diferentemente do verão passado não fez tanto calor assim, foi o chuvoso verão de 2004, esse devaneio passaria despercebido, não fosse um exercício mental que estou praticando para melhorar minha escrita, vi isso em um blog na internet  e resolvi tentar, resume-se em tentar lembrar de coisas do passado, e garimpar bem a fundo as lembranças e escrevê-las, bem nesse verão específico lembro-me de algumas coisas peculiares, uma delas não fez tanto calor assim como hoje, as chuvas de verão pareciam dilúvios, inundando a cidade, causando enchentes e transtornos. Nesse verão também foi que tive meu primeiro conflito amoroso, terminei um namoro duradouro, mais de um ano com a primeira namorada, a primeira namorada agente nunca esquece né?, eu sim, me lembrei apenas por fazer esse exercício para ativar o gatilho mental na minha cabeça, certas coisas é melhor deixar no poço do esquecimento, bem  como está escrito numa canção dos Los Hermanos “O esforço pra lembrar é a vontade de esquecer…” me falta uma certa nostalgia.

Não deu nem para sentir muito a perda da namorada pois naquele verão perdi a namorada mas encontrei-me com Deus, foi o primeiro retiro de carnaval que participei, rompi com a namorada na quinta e fui para o retiro no sábado, e foi muito bom, disso não me esqueço, no carnaval as chuvas já haviam passado e fazia calor como os verões devem fazer, mas muito calor – Que calor – certa tarde depois do almoço, lembro-me que alguém teve a brilhante ideia de pegar um balde cheio de água e dar um banho surpresa nas pessoas distraídas, do nada está você em baixo de uma árvore, lendo, e de repente, Shuaaa! Banho de água fria, uma brincadeira legal na época, mas hoje deperdiçar um balde de água assim é pecado, se não for crime até, a escacez é gêmea do calor, com um balde de água se toma um bom banho nesse calor – Que calor, logo a brincadeira virou moda no retiro  e todos gostaram, pois o calor estava escaldante, tanto quanto hoje, que nem verão é, mas juntando com o calor humano de que não se pode fugir dentro do coletivo lotado, se torna insuportável.

Suor escorrendo na testa, a transpiração parecendo uma cachoeira, os desodorantes de proteção máxima sendo desmascarados(48 horas de proteção né?), para amenizar, abanadores de todos os jeitos, pessoas com as caras quase para fora das janelas, o pobre prosador que vos fala sem camisa, embora nunca gostei de ficar sem camisa em público, pois embora seja atleta nas horas vagas (assim como escritor) não tenha um físico de se admirar, mas me rendi ao calor – Que calor – disse a moça ao meu lado que me fez lembrar de um verão qualquer, verão distante, chuvoso, melancólico, abençoado, inesquecível.

 

 

 

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